Clássicos são clássicos não porque são fáceis de ler, mas porque ultrapassam as barreiras do tempo. Mesmo datados, tratam de temas inerentes ao ser humano, insolúveis apesar de toda a tecnologia existente. Por mais satélites, chipes e nanotecnologia que temos, nada nem ninguém conseguiu, ainda, entender os mecanismos do amor, do ciúme e da traição.
Reverenciado por todos, admirado por sua origem humilde e pela capacidade de, como ninguém, conduzir através de uma suave, quase imperceptível e, porque não, fina ironia, o pensamento do leitor pelo que há de mais incompreensível e inexplicável na alma humana, Machado de Assis é, sem dúvida, o grande “analista” da burguesia carioca do século XIX, burguesia essa não muito diferente da que habita atualmente este belo país tropical...
Considerado por muitos sua obra-prima, “Dom Casmurro” inspira discussões acaloradas e muitas intertextualidades. Quem resiste ao desejo de demonstrar – provando com passagens do livro – sua opinião sobre o caso de adultério mais famoso da literatura brasileira? Que atire a primeira pedra quem nunca se pegou pensando nas armadilhas que o Bruxo do Cosme Velho deixa na história narrada pelo narrador mais tendencioso do universo literário...
Muito se pode dizer desta obra que inspirou músicas, adaptações para o cinema e televisão (infelizmente, muito inferiores à obra original), contos, crônicas, pastiches... Há todo um universo relacionado ao livro, enriquecendo a discussão e alargando os limites da compreensão e da interpretação dos adoradores machadianos.
E o que dizer dela, a mulher mais famosa da literatura brasileira? Capitu é a encarnação do bem e do mal; a vítima e o algoz; a virtude e a vulgaridade, a inocência e a culpa... Figura misteriosa, imaginada por nós, pobres vítimas de um narrador atormentado por incertezas e mágoas do passado. Condenada em um primeiro momento, absolvida em tribunal simulado (homenagem feita em 1999), a ela cabe agora o benefício da dúvida: Capitu traiu ou não traiu? Só lendo para saber? Não, nem lendo para saber...
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