“Eu odeio português!” “Ninguém fala português direito…” Estes e outros comentários são comuns e nos fazem achar que existem duas línguas: uma que falamos e outra que é a correta. Esquecemos que o português não é propriedade somente daqueles que sistematizam as regras, e sim de todos nós, filhos da “última flor do Lácio” (aliás, vale a pena ler este poema de Olavo Bilac). Além disso, há a adequação de uso: falamos de acordo com a situação, o ambiente e as pessoas com quem estamos. Assim, o que é considerado “super correto” pela gramática normativa pode não ser o mais adequado em certas ocasiões. Talvez, se pensarmos nisso, possamos perder um pouco do medo do “rude e doloroso idioma” (Bilac também!), o único em que cabe a imensidão da palavra saudade…
Ai vai o poema:
Língua Portuguesa
Olavo Bilac
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: “meu filho”!
E em que Camões chorou, exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
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