Como a vaidade feminina continua condicionada aos valores impostos
Idade Média, a idade das trevas. O homem como alguém que busca um sentido para a vida, imerso em valores arcaicos e cheios de dúvidas. Peste, navegações, fome, miséria, guerras... Liberdade, nem pensar. Se para os homens tudo era definido por regras inquestionáveis, pobres mulheres, então, meros corpos reprodutores...
Claro, havia aquelas que estavam à frente de seu tempo e enfrentavam a tudo e a todos para fazer valer sua opinião e suas vontades, mas... Eram poucas. A grande maioria era escrava de uma concepção rígida do “ser mulher”. E dá-lhe espartilho para manter a cintura do tamanho desejado...
E o mundo mudou. Será que mudou mesmo? Sutiãs foram queimados, mulheres passaram a usar calças, trabalhar, defender seu direito de serem donas do próprio corpo, e tantas outras conquistas... Mas continuam sendo vítimas da indústria da moda, ou, mais precisamente, dos meios de comunicação em massa, que muitas vezes estabelecem padrões irreais para o que é “bonito” ou “feio”.
Agora, a ditadura vem em forma de cobrança: mulheres emancipadas, sejam perfeitas! Não basta ser bonita, tem que ser PERFEITA. E não é perfeita dentro da sua estrutura, é perfeita dentro dos moldes que são impostos... Bonito é ser “peituda”? Coloca silicone! Bonito é não ter barriga? Faz lipo! E assim por diante... E se você não está nos padrões, azar seu, pois existem milhares por ai que fazem de tudo para estar “na moda” e, como conseguiram, são melhores que você...
Dinheiro não é problema, pois agora temos o cartão de crédito, que financia em quantas vezes for preciso, afinal, é sua obrigação ser perfeita... E enquanto se cuida desesperadamente do corpo, não se lembra dos valores, da inteligência, da gentileza, da saúde... E mulheres, mais uma vez, tornam-se recipientes, antes reprodutores, agora pedaços de carne sem valor, cortados e modelados como produtos de fabricação em série... E viva a modernidade...
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