"Acho que fiz tudo do jeito melhor, meio torto, talvez, mas tenho tentado da maneira mais bonita que sei."
Volto com o balanço de 2010... e a dor que não passa... :(
Beijos.
Um espaço para reflexões, poesia, música, literatura... um espaço para (tentar) entender o mundo e o ser humano!
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Um pouco mais de Titãs...
... porque tem coisas que não dá pra esquecer...
Prá dizer adeus
Prá dizer adeus
Você apareceu do nada
E você mexeu demais comigo
Não quero ser só mais um amigo
Você nunca me viu sozinho
E você nunca me ouviu chorar
Não dá prá imaginar quando
É cedo ou tarde demais
Prá dizer adeus
Prá dizer jamais
E você mexeu demais comigo
Não quero ser só mais um amigo
Você nunca me viu sozinho
E você nunca me ouviu chorar
Não dá prá imaginar quando
É cedo ou tarde demais
Prá dizer adeus
Prá dizer jamais
Às vezes fico assim pensando
Essa distância é tão ruim
Porque você não vem prá mim?
Eu já fiquei tão mal sozinho
Eu já tentei, eu quis chamar
Não dá prá imaginar quando
É cedo ou tarde demais
Prá dizer adeus
Prá dizer jamais
Essa distância é tão ruim
Porque você não vem prá mim?
Eu já fiquei tão mal sozinho
Eu já tentei, eu quis chamar
Não dá prá imaginar quando
É cedo ou tarde demais
Prá dizer adeus
Prá dizer jamais
Eu já fiquei tão mal sozinho
Eu já tentei, eu quis...
Não dá prá imaginar quando
Eu já tentei, eu quis...
Não dá prá imaginar quando
É cedo ou tarde demais
Prá dizer adeus
Prá dizer jamais
Prá dizer adeus
Prá dizer jamais
É cedo ou tarde demais...
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Um pouco de Titãs
"Você apareceu do nada, e você mexeu demais comigo..."
"Eu sei que é pra sempre, enquanto durar, e peço somente... o que eu puder dar..."
"O acaso vai me proteger, enquanto eu andar distraído..."
Assim espero...
"Eu sei que é pra sempre, enquanto durar, e peço somente... o que eu puder dar..."
"O acaso vai me proteger, enquanto eu andar distraído..."
Assim espero...
;)
Esse mundo capitalista é um barato... a hora que publiquei o post anterior, já apareceu do lado uma propaganda de remédios para insônia... que pena, o meu remédio eles não têm...
Insônia?
Insônia? Falta do que fazer? Hum... um pouco dos dois, aliados a uma dor no coração tremenda... mas não baixou um Machado ou um Vinícius (quem me dera, né?) não, alguns textos são mais antigos, publicados em um blog da escola onde trabalho. Mas hoje era um daqueles dias em que eu poderia ficar a noite toda em claro, porque dormir não tá fácil...
Odeio português!
“Eu odeio português!” “Ninguém fala português direito…” Estes e outros comentários são comuns e nos fazem achar que existem duas línguas: uma que falamos e outra que é a correta. Esquecemos que o português não é propriedade somente daqueles que sistematizam as regras, e sim de todos nós, filhos da “última flor do Lácio” (aliás, vale a pena ler este poema de Olavo Bilac). Além disso, há a adequação de uso: falamos de acordo com a situação, o ambiente e as pessoas com quem estamos. Assim, o que é considerado “super correto” pela gramática normativa pode não ser o mais adequado em certas ocasiões. Talvez, se pensarmos nisso, possamos perder um pouco do medo do “rude e doloroso idioma” (Bilac também!), o único em que cabe a imensidão da palavra saudade…
Ai vai o poema:
Língua Portuguesa
Olavo Bilac
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: “meu filho”!
E em que Camões chorou, exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
Ler é preciso
O ser humano se diferencia dos animais não só pela capacidade de comunicação, mas principalmente por ter criado formas de transmitir seu conhecimento às gerações vindouras sem ser necessária sua presença física. É, o homem, com a escrita, tornou tudo o que aprendeu, viveu, sentiu e imaginou praticamente eterno.
Algo que, para nós, é praticamente banal (mesmo em nosso país, ainda tão injusto socialmente, a maior parte da população economicamente ativa é considerada alfabetizada, e a universalização do ensino, ainda que de má qualidade, é uma realidade), simplesmente é considerada o divisor da história – pré-história antes da sua invenção, história após.
Então, por que o “medo” da escrita? Ou, pior ainda, por que o medo da língua portuguesa? “Sou péssimo de português, é muito difícil!”, “o português é a língua mais difícil de se aprender”, “não sei escrever direito”, e muitas outras são as falas que professores de português ouvem dos que acreditam que existam duas línguas: uma no dicionário e na gramática e outra nos seres humanos. Grande parte deste problema deve-se ao fato de que, durante muitos anos, a escola tratou o português como algo “certo” ou “errado”, privilegiando certos registros, obviamente vindos de uma classe dominante, em detrimento do português vivo da população.
Se falamos e nos comunicamos de forma perfeita no dia a dia, qual o problema de colocar isso no papel? Sim, há a necessidade de uma adequação, pois a escrita perde alguns recursos de enunciação, como os gestos, a entonação, a participação do interlocutor… Mas, a escrita, de vilã merece chegar a mocinha da história. Ela é porta que dá acesso a novas oportunidades e conhecimentos, injustamente julgada por precisar, para seu aperfeiçoamento, de algo que, com o avanço das tecnologias e a correria do mundo moderno ficou esquecida: a leitura.
Para aprender a falar não recebemos uma gramática e um dicionário de nossos pais e estudamos com afinco para aprender tudo… Claro, exercícios propostos para este fim aperfeiçoam o que já está interiorizado, mas não fazem surgir “do nada” algo que não se assimilou da primeira forma pela qual o ser humano aprende: pela imitação. Da mesma forma, aprender a escrever não é somente uma mistura de inspiração e domínio de técnicas, mas também de conhecer as diversas manifestações artísticas desta linguagem e abastecer seu repertório com as mais variadas formas de expressar o que se sente por palavras em um papel (ou em uma tela, como é muito comum).
Ler é algo que parece chato ou cansativo, principalmente quando temos tantos recursos mais “interessantes”, como vídeos, fotos, músicas… Mas somente a leitura permite a experiência de uma interpretação única, algo que só a sua vivência e a sua forma de ver o mundo permitem… Solidão povoada, acompanhada por lugares, sensações e ideias que conseguimos conhecer através de palavras que nos conduzem de forma mágica por algo novo… O novo sempre assusta, mas, é somente por ele que chegamos mais longe do que imaginávamos que podíamos ir.
“Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”, já dizia o grande poeta português Fernando Pessoa. Ler é navegar por mares desconhecidos, na segurança de chegar, sem perigo, ao que todos buscam, mesmo que de forma inconsciente: o conhecimento. Jornais, livros, revistas, blogs… Tudo vale a pena!
Momentos difíceis...
Adoro reticências. Não são uma mera pausa, como uma vírgula; não são uma pausa longa, como um ponto e vírgula, nem um encerramento, como o ponto final. Indicam que nada está concluído, que ainda há uma possibilidade (só não coloquei esperança para não parecer "meloso" demais...).
A vida deveria ser assim. Deveríamos ter sempre uma outra escolha, uma outra possibilidade. Deveríamos ter sempre o direito à dúvida, o poder de fazer diferente aquilo que acreditamos estar errado. Mesmo que acreditemos que não fomos nós que erramos...
"Ninguém pode mudar o final, mas pode recomeçar e fazer um novo final." Sim, recomeçar é um direito, um dever, na verdade; não desistir é algo que deveríamos ser estimulados a fazer desde sempre, ao invés de aceitar e dizer "pois é, fazer o que".
Li uma frase do Caio Fernando Abreu (prometo postar algumas coisas dele aqui), não sei de que livro, mas que resume o que sinto neste momento: "Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato. Mas e o dia de hoje?". Momentos difíceis são para aprendizado? Tenho certeza, passei por outros... E o que eu faço com o AGORA? "Esquece, isso passa." E enquanto não passa, o que eu faço?
Finjo que não aconteceu nada, que to bem? Infelizmente, não é do meu feitio. Sinto uma certa "inveja branca" (ouvi esse termo e achei muito interessante, por que branca?) de quem tá com a vida na m... e ainda se faz de "maioral", fingindo que não vê os próprios problemas ou - o que é mais comum - cuidando dos problemas alheios. Sou transparente, minhas amigas dizem. Que bom, hipocrisia nunca foi o meu forte mesmo.
Sei que ninguém me dará respostas ou soluções prontas (leia Paulo Coelho, Augusto Cury, isso não vale!), só sei que posso contar com os amigos, aqueles que me suportam na TPM, nas crises e nas deprês. Deus foi muito generoso ao colocar essas pessoas em minha vida, sabendo o quanto sou frágil... (sim, insegura e teimosa também, acho que ainda mais...).
Resumindo: nada nem ninguém vai mudar o que sou, tudo o que fiz, se errei... foi por amor...
Pobres de nós...
Clássicos são clássicos não porque são fáceis de ler, mas porque ultrapassam as barreiras do tempo. Mesmo datados, tratam de temas inerentes ao ser humano, insolúveis apesar de toda a tecnologia existente. Por mais satélites, chipes e nanotecnologia que temos, nada nem ninguém conseguiu, ainda, entender os mecanismos do amor, do ciúme e da traição.
Reverenciado por todos, admirado por sua origem humilde e pela capacidade de, como ninguém, conduzir através de uma suave, quase imperceptível e, porque não, fina ironia, o pensamento do leitor pelo que há de mais incompreensível e inexplicável na alma humana, Machado de Assis é, sem dúvida, o grande “analista” da burguesia carioca do século XIX, burguesia essa não muito diferente da que habita atualmente este belo país tropical...
Considerado por muitos sua obra-prima, “Dom Casmurro” inspira discussões acaloradas e muitas intertextualidades. Quem resiste ao desejo de demonstrar – provando com passagens do livro – sua opinião sobre o caso de adultério mais famoso da literatura brasileira? Que atire a primeira pedra quem nunca se pegou pensando nas armadilhas que o Bruxo do Cosme Velho deixa na história narrada pelo narrador mais tendencioso do universo literário...
Muito se pode dizer desta obra que inspirou músicas, adaptações para o cinema e televisão (infelizmente, muito inferiores à obra original), contos, crônicas, pastiches... Há todo um universo relacionado ao livro, enriquecendo a discussão e alargando os limites da compreensão e da interpretação dos adoradores machadianos.
E o que dizer dela, a mulher mais famosa da literatura brasileira? Capitu é a encarnação do bem e do mal; a vítima e o algoz; a virtude e a vulgaridade, a inocência e a culpa... Figura misteriosa, imaginada por nós, pobres vítimas de um narrador atormentado por incertezas e mágoas do passado. Condenada em um primeiro momento, absolvida em tribunal simulado (homenagem feita em 1999), a ela cabe agora o benefício da dúvida: Capitu traiu ou não traiu? Só lendo para saber? Não, nem lendo para saber...
Do espartilho ao bisturi
Como a vaidade feminina continua condicionada aos valores impostos
Idade Média, a idade das trevas. O homem como alguém que busca um sentido para a vida, imerso em valores arcaicos e cheios de dúvidas. Peste, navegações, fome, miséria, guerras... Liberdade, nem pensar. Se para os homens tudo era definido por regras inquestionáveis, pobres mulheres, então, meros corpos reprodutores...
Claro, havia aquelas que estavam à frente de seu tempo e enfrentavam a tudo e a todos para fazer valer sua opinião e suas vontades, mas... Eram poucas. A grande maioria era escrava de uma concepção rígida do “ser mulher”. E dá-lhe espartilho para manter a cintura do tamanho desejado...
E o mundo mudou. Será que mudou mesmo? Sutiãs foram queimados, mulheres passaram a usar calças, trabalhar, defender seu direito de serem donas do próprio corpo, e tantas outras conquistas... Mas continuam sendo vítimas da indústria da moda, ou, mais precisamente, dos meios de comunicação em massa, que muitas vezes estabelecem padrões irreais para o que é “bonito” ou “feio”.
Agora, a ditadura vem em forma de cobrança: mulheres emancipadas, sejam perfeitas! Não basta ser bonita, tem que ser PERFEITA. E não é perfeita dentro da sua estrutura, é perfeita dentro dos moldes que são impostos... Bonito é ser “peituda”? Coloca silicone! Bonito é não ter barriga? Faz lipo! E assim por diante... E se você não está nos padrões, azar seu, pois existem milhares por ai que fazem de tudo para estar “na moda” e, como conseguiram, são melhores que você...
Dinheiro não é problema, pois agora temos o cartão de crédito, que financia em quantas vezes for preciso, afinal, é sua obrigação ser perfeita... E enquanto se cuida desesperadamente do corpo, não se lembra dos valores, da inteligência, da gentileza, da saúde... E mulheres, mais uma vez, tornam-se recipientes, antes reprodutores, agora pedaços de carne sem valor, cortados e modelados como produtos de fabricação em série... E viva a modernidade...
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